sexta-feira, 3 de outubro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

[Livro] Sobrevivi para Contar

Esse livro segue a mesma linha de "muito longe de casa", ou seja, é a auto-biografia de uma pessoa comum que se vê repentinamente lutando pela sobrevivência na África contemporânea. O interessante é que tais genocídios, verdadeiros holocaustos, continuam se sucedendo sem que se desperte nenhuma reação, ou mesmo interesse, no mundo "ocidental civilizado". Aparentemente, essas vidas não possuem importância em virtude de seu reduzido valor econômico.

Muito longe de casa trata da guerra civil em Serra Leoa, na visão do adolescente Ishmael Beah, que é recrutado como menino-soldado, vivendo todo o horor da guerra. O conflito mal era noticiado e não houve auxílio da ONU. Resultado final: a luta durou 10 anos, morreram 5,4 milhões de pessoas e só terminou com a intervenção do exército do Congo. 

Por sua vez, "Sobrevivi para contar" conta a história de Immaculée Ilibagiza, uma jovem que passou nada menos que 100 dias escondida num banheiro minúsculo com outras 6 mulheres para escapar do genocídio de sua minoria étnica em Ruanda no ano de 1994. Não houve nenhuma resposta da ONU, nenhuma intervenção ou qualquer auxílio externo. Resultado: o extermínio de cerca de 1 milhão de pessoas da minoria tutsi (80% dessa população) pela maioria hutu. Tal conflito é retratato com primazia no filme Hotel Ruanda (2004). O conflito somente é encerrado quando exilados tutsis (exilados durante a fuga em massa do último genocídio) invadem o país, a partir de Uganda, e derrubam o governo hutu que conduzia o genocídio. Por falar nisso, a salvação vem da mesma Uganda de Idi Amin (conhecido pelas alcunhas de "açougueiro de Kampala" e "senhor do horror", com seus hábitos de comer carne humana...), retratado de forma ultra-light em O último Rei da Escócia (2007).

Qualquer semelhança entre os conflitos pode não ser mera coincidência! Ambos os livros são  importantes por trazerem a pauta um problema que simplemente não se discute. Afinal, o genocídio nos conflitos citados superam o total de mortos do holocausto judeu na segunda guerra. As atrocidades praticados na "Mama África", para qualquer instabilidade política, evidenciam uma tendência de indiferença e pervesidade da raça humana. A receita é muito simples: instabilidade política (ausência de um processo democrático consolidado), pouca educação e falta de recursos econômicos. Os ingredientes são poucos, mas a receita mostra o pior da humanidade, principalmente se aliados a questões raciais. Neste cenário, facilmente surgem grupos ursupando o poder para expropriação de riquezas, e fazendo isso as custas de extermínios. Perceba que não existe uma razão para o problema ser exclusivamente africano: isso aconteceria da mesma forma nos países de primeiro mundo se as mesmas condições estivessem presentes. Uma evidência clara disso é a total indiferença a tais genocídios. Ou seja, os mesmos podem ser aceitos com surpreendente naturalidade (i.e. desde que não existam interesses econômicos em contrário). Triste mas verdadeiro!

Quando li muito longe de casa, o livro me tocou pela linguagem simples, direta e tocantemente honesta. Sem ideologias, floreamentos ou eufemismos: apenas a realidade. Esse não é o caso de sobrevivi para contar. A tocante história de sobrevivência, e seu relevante contexto histórico, são postos em segundo plano para dar lugar a um discurso religioso. Em diversos momentos, percebe-se claramente que sua narrativa é forçada para convergir às convicções religiosas da autora, no que beira a pregação pura e simples. Em certos momentos parece muito um livro de auto-ajuda de baixa qualidade. No entanto, em se tendo a boa vontade de relevar tais aspectos e de se concentrar na história em segundo plano, percebe-se que o livro consiste de um relato fabuloso de uma sobrevivente. Uma história a ser conhecida e disseminada como um alerta a todos.

Embora não tenha lido pessoalmente, outras fontes de informação são o livro "Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias" de Philip Gourevitch (também disponível em edição de bolso) e os documentários Ghosts of Rwanda (2004) e Shake Hands with the Devil: The Journey of Roméo Dallaire (2004).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

[Opinião] Os dinossauros são coisa do diabo!


"Os dinossauros são criações do demônio!"

Parece de sacanagem, mas é coisa de evangélico! Cortesia do seminarista Carlos Alberto de Souza Magalhães e do "Dr." (em verdade mestre) Carlos Gama Michel. Além de atribuir uma origem demoníaca aos dinossauros, o autor ainda discute que sua extinção foi causada pelo dilúvio... Confira mais essa pérola pelo original em PDF ou por sua transcrição neste site.

Só para fomentar, segue um trecho muito interessante sobre a disseminação dos dinossauros e a geologia da Terra ao final do período Cretáceo:

Os ossos desses animais (os dinossauros) são encontrados em todos os continentes. Isto indica que popularam a terra toda. Apesar da teoria de continentes ligados antes do dilúvio que possibilitariam a ocupação destes pelos dinossauros, outra teoria é apresentada como susceptível de probabilidade pelo Doutor Ritter. Ele diz que a distribuição de animais terrestres a partir de um ponto radiante no oriente médio, como admitem os criacionistas, pode ser explicada por pontes terrestres unindo continentes ou unindo continentes a ilhas adjacentes. A simples reconstituição das enormes massas de gelo que uma vez se acumularam no Hemisfério Norte faria o nível dos oceanos descer 90 metros. Segundo boas fontes, isto seria suficiente para estabelecer um bom número de pontes terrestres, inclusive a ligação da Ásia com a América, e assim resolver um grande problema da distribuição de animais...




Abaixo, corajosas incurções minhas junto aos famigerados "seres infernais" nos museus de história natural de Londres e de NY!! O enxofre estava no ar!! hehehe...





Vale sempre remeter a discussão prévia "Criacionismo e intolerância religiosa"...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

[Cool] Large Hadron Collider Rap

Te cuida Eminen, senão a matéria escura te pega... :D

Muito bom! Recomendo mesmo!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

[Música] Flores secas





Flores secas

Flores secas não despedaçam corações
Mas uma rosa abre todas as portas
Quem não diz eu te amo
Não leva pra cama um sonho

Quem está ao seu lado
Talvez não saiba o seu jogo
Quem prepara esse bolo
Talvez não jogue o seu dado

Quem está ao seu lado
Talvez não saiba o seu jogo
Quem devolve em dobro
Talvez não jogue o seu dado

Canções de amor fazem sucesso
Mulheres nuas dão IBOPE
A bandeira desordem e progresso
Como um aceno de boa sorte



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

[Música] Lençois ao Vento





Lençois ao Vento

Tenho forças para caminhar, mas não para erguer o mundo
Tenho forças para respirar, mas não para o absurdo
Se lembra de quando sabíamos de tudo
Me venda uma passagem pelo muro
E voam nossos lençóis
Nos campos, giram girassóis no escuro

Já não sei mais falar o que sinto
Sofrer pra que? Tomamos absinto
Jurar com sangue? Espero que estanque!
Pra ser sincero, estamos tão distantes

Eu vou partir pros braços de uma qualquer
Eu vou deixar a solidão te acompanhar
Quem sabe amar talvez saiba te magoar
No telefone, os risos de outra você vai ouvir

Ingratidão: moeda que eu pago
Pro seu velório eu fiz um réquiem arretado
Porque no amor sempre alguém dança no final
Se apreveitamos, então não foi de todo mal...

De todo o mal que eu fiz...
De todo o mal que eu fiz...
De todo o mal que eu fiz...



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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E para o bom saudosismo de todos dos tempos da república! Um raríssimo vídeo gravado com uma webcam (de baixa resolução) e microfone ambiente!! Aproximadamente em setembro de 2001! Grande abraço a todos!



domingo, 27 de julho de 2008

[Música] Sampa (cover)






Sampa

(Caetano Veloso Cover - Ao vivo)



Letras: Cartano Veloso
Música: Cartano Veloso
Arranjo: Porque Neuma!
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quinta-feira, 17 de julho de 2008

[Música] Eu quis me perder




Eu quis me perder

Ao ver olhos seguindo os meus
Pensei ser paixão
Se quis ter nos meus braços,
Colher os teus lábios,
Pétala por pétala

Eu quis me perder
Eu quis me perder
Eu quis me perder
E perdi...
Kiss me, baby...

Menina, quando estou contigo,
Tenho medo de ser eu mesmo
E ainda sim ser pouco
E quando eu digo essas palavras
É que espero que tu saibas que
Não são só palavras

Eu quis me perder
Eu quis me perder
Eu quis me perder
E perdi...
Kiss me, baby...



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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segunda-feira, 7 de julho de 2008

[Música] Brado Retumbante





Brado Retumbante

Quem vai saber o que você sentiu naquele dia
Queria uma banho mas a água estava muito fria
Você lavou o rosto
Cortou o seu cabelo
Olhava a pia, mas o rosto estava no espelho

Ouvira um brado heróico
Um brado retumbante!

Você saiu bem cedo a procura de um emprego
Parou num bar, bebeu um pouco e acabou num beco
Você bebeu a grana, mas pediu uma grama
Cuidado filho, senão você acaba entrando em cana...

Ouvira um brado heróico
Um brado retumbante!



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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quinta-feira, 26 de junho de 2008

[Música] A Vida por Diamantes




A Vida por Diamantes

Só estende as mãos para receber
Sua lei: ganhar nunca perder
Mantêm com as mãos seu coração
O próprio ladrão
Correndo com a solução
Não sabe parar para ver
Juntando a lei pra conquistar poder

E eu não sei ligar
Pra quem não quer saber
O que é o amor
Pra quem não quer sentir
Morrer de dor
Olhando para si e para mais ninguém

Futuro para construir
Render mais que investir
Comprar para acumular o que é seu
Não sabe ter sem possuir
Contenta-se com o que restou
Joga na cara o que fez e desfaz

E só não esconde a dor e frustação
De quem correu e não chegou a lugar algum
Que vá... Pra que voltou? Pra que?



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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domingo, 15 de junho de 2008

[Música] Beijos Aperitivos





Beijos Aperitivos

Beijos Aperitivos
Sem prato principal
Não deixam gosto na boca
Como o segundo no dia
Uma eternidade
E ao mesmo tempo
Não valem de nada

Nem com poema vai...
Ela só dá pra trás...
Diz que ainda não...
Eu não agüento mais...

A chamo de meu bem...
Pra ela tanto faz...
Diz que ainda não...
Eu não agüento mais...



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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terça-feira, 3 de junho de 2008

[Música] Todos




Todos (AoVivo)

Todos estão me chamando
Por todos os verbos
Pelo meu nome estão
Por todos os cantos
Não sei não... para onde ir...
Estagnado... estão ao meu lado...
Todos contra mim!

Estão rindo, debochando
A gritar tornando-me grande
Estou confuso, desorientado
Ao meu lado
Não há ninguém...



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Porque Neuma!
Disco: A pergunta que não quer calar (2001) [independente]
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quinta-feira, 8 de maio de 2008

[Aspie] Napoleão Dinamite: um heroi asperger?

Poster de napoleão dinamite Recentemente assisti o filme "Napoleão Dinamite" na TV a cabo (procure por "Napoleon Dynamite" na programação) e fiquei impressionado! O filme é completamente desconhecido no Brasil (nunca passou nos cinemas e é virtualmente muito difícil de alugar ou comprar, tendo sido parcamente distribuído apenas em DVD no final de 2006), mas possui uma particulariedade muito importante: os seus personagens centrais apresentam sintomas claros da Síndrome de Asperger.

O filme não tem a menor intenção de esclarecer o problema (nem toca no assunto), mas com certeza é muito interessante para se identificar em alguns comportamentos e rir dos próprios problemas (o que de longe é a melhor postura)! O grande segredo para apreciar o filme é não se ofender com as idiossincrasias do Napoleão, mas reconhecer-se no seu esteriótipo. Além do mais, o Napoleão é o grande heroi da história! :D

Na verdade o filme é de humor negro (i.e. politicamente incorreto), bem ao estilo das produções da MTV, sendo classificado como "comédia dramática" no Brasil. O roteirista e diretor é o Jared Hess, o mesmo de "Nacho Libre".


O filme é de 2004, e ao contrário do Brasil, provocou muita identificação ao redor do mundo. São inúmeros os fans do filme que o referem como "um verdadeiro meio de vida". O ponto fundamental é que o heroi da trama apresenta as idiossincrasias características da síndrome de Asperger (atitudes e reações completamente "alienígenas" para as pessoas normais), mas enfrenta a vida com muita coragem em nome do que considera certo e das pessoas que gosta. Esta coragem e superação do Napoleão comove as pessoas em geral. Essa popularidade fica evidente nas crianças com fantasias e bonecos dos personagens do filme. Desta forma, o filme (mesmo de humor negro) é um hino a diferença e deveria ser visto por todos. Passa longe de ser apenas mais um entre os milhares de filmes sobre adolescentes no colégio, ou ainda, de ser apenas uma escárnio delirante sem sentido como os filmes do Tom Green... Esse filme tem "alma"...

Como bem resume Flávia Yacubian, Napoleão é "descompassado, em todos os sentidos, com qualquer possível atitude razoável que um garoto normal pode ter" (assim como são percebidos os portadores da SA). Dentre as atitudes estranhas do personagem, Flávia discute: jogar um boneco preso por uma linha de anzol para ser arrastado pelo ônibus, guardar comida no bolso, praticar dance moves de duas décadas atrás, usar botas de neve num calor absurdo, apoiar o amigo na entrega de um bolo para conquistar uma patricinha, comprar uma peruca de mulher para o mesmo amigo quando este raspou a cabeça por impulso num dia de calor... Mas, vamos parar neste ponto: ele comprou uma peruca para o amigo com o dinheiro ganho depois de 6 horas manipulando galinhas imundas. Não só isso, mas pelo mesmo amigo ele dançou na frente de todo o colégio e enfrentou o malvado da escola. Em outros momentos do filme ele vai conversar com as garotas, não admite ser roubado na escola, enfrenta as pessoas de sua família, tenta até mesmo viajar no tempo por seu tio egoísta e convida uma das mais bonitas da escola para o baile...

Um aspecto importante é que percebe-se que Napoleão "tenta simular" atitutes "normais" de um adolescente revoltado, como forma de proteção, mas faz isso sem perder o orgulho de suas habilidades, dos seus interesses e de tudo o mais que o torna único. Desde seu terno até seu esporte preferido.

Inclusive, a dança de napoleão para a música Canned Heat do Jamiroquai é um dos pontos altos do filme (abaixo) e, por sua demonstração de coragem, ele vira uma espécie de herói. Existem inúmeros vídeos (1, 2, 3, 4, 5) no youtube imitando seus passos de dança e até mesmo uma propaganda do IPod... As camisetas "vote for pedro" também viraram uma mania e podem ser compradas pela Internet. Enfim, não deixe de ver... :D

segunda-feira, 5 de maio de 2008

[Aspie] Aspie Quiz

Foi publicada a tradução para o português que realizei do Aspie Quiz. Ao contrários dos usuais "testes de Internet", este é um trabalho sério conduzido por Leif Ekblad sobre a avaliação de perfis do espectro altista, focado na síndrome de Asperger.

O "quiz" consiste de um sistema especialista baseado em coeficientes de correlação com diversos perfis de neuro-diversidade tais como dislexia, esquizo-típicos, etc... (veja a metodologia em http://www.rdos.net/eng/aspeval/).

Assim como eu, Leif trabalha e pesquisa na área de tecnologia mas tem colaboração com outras linhas, e particular interesse pela síndrome de Asperger (por razões óbvias). Estive me correspondendo com o mesmo, e estou inclusive ajudando livremente em um artigo a ser submetido, provavelmente próximo mês, em uma revista Elsevier de psiquiatria.

Neste ponto, gostaria de convidar a todos (inclusive indivíduos neurotípicos), e principalmente as pessoas diagnosticadas clinicamente com síndrome de asperger, a participar da pesquisa. Quanto mais pessoas realizarem o teste, melhor sua calibração e seu desempenho na análise preliminar de pessoas com a síndrome.

Outro aspecto interessante é que o teste seja repetido ao longo dos anos de forma a avaliar a progressão dos portadores.

Por faver, distribuam amplamente o link para o teste: http://www.rdos.net/br/.

domingo, 4 de maio de 2008

[Opinião] Ressonância em metrônomos

Eis um belíssimo exemplo de ressonância em ondas planas.



Pessoalmente, fico sempre fascinado com a beleza da natureza.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

[Opinião] Sexo, Drogas e... Matemática

Encontrei um "interessante" artigo no New York Times sobre sexualidade (The Myth, the Math, the Sex). No mesmo, o autor refere que "pesquisadores britânicos" levantaram que, em média, os homens ingleses declaram terem tido 12,7 parceiros heterosexuais durante a vida, enquanto as mulheres apenas 6,5.

Tal estatística vai de acordo com a noção estereótipada que os homens são mais promícuos, pois procuram ter o máximo de parceiras para disseminar seus genes, enquanto as mulheres são mais reclusas pois o alto investimento da maternidade faz mais adequado ter um parceiro fixo, que ajude a criar a prole...

Ou seja, os velhos papeis do "garanhão" e da "moça de família". Correto?

Errado! Se as amostras foram representativas na mesma população e as relações são heterosexuais (i.e. um homem e uma mulher), então devem existir 12,7/6,5 = 1,95 mulheres para cada homem. Como a probabilidade de nascimento é de 50% para cada sexo, a conta não fecha!



Matematicamete, o número médio de parceiros heterosexuais durante a vida deve ser o mesmo para ambos o sexos!



Logo, a pesquisa está errada! (e o mito da recatada retração sexual feminina derrubado!)

Verdade seja dita, não consegui encontrar a tal pesquisa britânica referida no artigo! Como não há nenhuma referência além de "pesquisadores ingleses" (sabe-se lá o que quer dizer isso...), desconfiei da fidelidade desses dados...

Porém, antes de queimar de vez a Impresa pela falta de coerência em prover rastreabilidade das informações, encontrei o artigo FRYAR,C.D. et al., "Drug use and sexual behaviors reported by adults: United States, 1999-2002", Adv Data, v.384, n. 23, p.1-14, 2007. Neste último artigo, os homens americanos declaram terem tido 7 parceiros heterosexuais durante a vida, enquanto as mulheres apenas 4. Dessa forma, deveriam existir 7/4= 1,75 mulheres para cada homem. Por sua vez, este resultado rastreável converge com a tal "pesquisa britânica"! Assim, realmente existe algo de muito errado!

No artigo no New York Times, o doutor Fryar se defende dizendo que os homens podem ter tido relações sexuais fora do país (e.g. em viagens) ou com prostitutas (que não entraram na amostra). Ou ainda, logicamente, que os homens notoriamente super-estimam o número de parceiras enquanto as mulheres notoriamente sub-estimam! Pessoalmente, acho esta última hipótese muito mais plausível!!!

Mas nem tudo está perdido! Também encontrei este excelente artigo Gómez-Gardeñes, J., et al. "Spreading of sexually transmitted diseases in heterosexual populations", PNAS, v. 105, n.5, p.1399-1404, 2008, que apresenta distribuições similares para as distribuições de parceiros ao longo da vida entre homens e mulheres (inclusive para Suécia, Reino Unido e Zimbabue, e com resultados semelhantes nos três países!!!). Ou seja, é possível fazer esta pesquisa com resultados coerentes!

Dai levanto as seguintes hipóteses para a distroção de FRYAR et al. (2007):
  • A amostra da população não foi adequada.
  • Não houve um treinamento prévio dos entrevistados sobre a definição de um "parceiro sexual" (e.g. um parceiro de um único intercurso ou um namorado estável a mais de um ano...).
  • Os americanos mentem muito... hehehehehe...
Ademais, estatisticamente, sua namorada teve o mesmo número de parceiros que você... Podes crer! :D

quarta-feira, 30 de abril de 2008

[Aspie] Colaboração: Guia de Sobrevivência para Portadores da Síndrome de Asperger

Eis uma excelente notícia! O portal universo autista deixou disponível hoje o material produzido no post anterior. É edificante poder ajudar a disseminar esse conhecimento. Fico realmente muito feliz com isso! Novamente fica a chamada para a divulgação do material [PDF] [DOC] (de forma a que o conhecimento cheque a quem pecisa).

domingo, 27 de abril de 2008

[Aspie] Guia de sobrevivência para portadores da síndrome de Asperger

A Simone está com um aluno Asperger na sala. Dai me sensibilizei e gastei a tarde traduzindo o guia da sobrevivência para portadores de Asperger do Marc Segar.

Valeu a pena porque ficou bom! Tomei a liberdade de acrescentar algo por minha conta, do pouco que aprendi da vida. Fico muito feliz de poder ajudar um menino de 9 anos. A Simone vai imprimir e deixar disponível (sem forçar). Vejamos se ele se interessa! Eu sei que foi feito com todo o carinho!




Por favor, distribuam amplamente este material [PDF] [DOC].



Ele contêm um legado muito importante e pode ajudar muitas pessoas. Se eu tivesse tido acesso a essa informação quando criança, minha vida tinha sido muito mais fácil.

[Música] Amor em pedaços

Eis mais um vídeo em homenagem ao "antológico" Porque Neuma! No caso, desta música eu não participei (é uma pena!). Foi composta pelo Paulo e o Alex em Belo Horizonte, após a diáspora da banda!!! Fica uma homenagem a nova fase de todos. hehehehehe... [enjoy!]




Amor em Pedaços

Ouro, prataria, teus colares espalhados,
espelho partido, teu pulso ferido.
Teu corpo caido ao lado.
Um sentimento infantil de que nada...
Nada faz sentido!

Teu desespero foi, e ainda é,
ter que se agarrar a quem fingiu
E como um fantasma, passou pela parede.
E tu... Tu quebraste a cara!

E se cantasses um prece, ah...
E se os anjos te alçassem alto, alto...
E se tocasse o telefone o que dirias?

Pois quem semeia vento há que colher poeiras.
Jogar-se do precipício nunca vale a pena.
Nós somos frágeis mas ainda temos chance.
Você pediu uma canção, pois agora dançe!

E se cantasses um prece, ah...
E se os anjos te alçassem alto, alto...
E se tocasse o telefone o que dirias?


(eu te amo!)



Letras: Paulo Rocha
Música: Alex "Brasil"
Arranjo: Alex "Brasil" e Flávio Mateus

Ademais:

Lembrem-se, Ginger Rogers fez tudo Fred Astaire fez, mas para trás e de salto alto.
Faith Whittlesey

sábado, 26 de abril de 2008

[Opinião] Criacionismo e intolerância religiosa

Este post é decorrente da inquietude em mim gerada por um vídeo enviado por um amigo, apresentado abaixo.



O vídeo, muito bem produzido por sinal, apresenta a ciência (em particular, a teoria da evolução das espécies de Darwin) como opressora e inflexível a opniões divergentes (em particular, ao criacionismo defendido por católicos evangélicos). Nele, a "era da ciência" e a "era das máquinas" são vistas como tiranos que deve ser combatidos pois acarretarão no fim das religiões e da liberdade. Neste escopo, o autor questiona o "fato" de que os PhDs devem ser ouvidos cegamente, e qualquer opnião diversa deve ser excluída! A grande questão aqui é que o vídeo (além do fato de estar em inglês) é bem feito e tem potencial para gerar desinformação.

Não é estranho de se imaginar que tal vídeo tenha relação com a opnião expressa por este outro criacionista, que defende o dogma da criação do homem ao referenciar o pensamento crítico por "síndrome de lúcifer", com citações bíblicas inclusive.

Neste contexto, sou um PhD em engenharia biomédica, logo um dos famigerados "opressores". Dentre as minhas atividades, nos últimos 3 semestres chequei a orientar a incrível soma de cerca de 100 monografias de trabalhos de conclusão de curso em nível superior (fora o trabalho, aulas e demais orientados). Algo que me marcou foi que realmente pude passar os fundamentos do método científico para muitas pessoas (algo que realmente só se constroi ao realizar um trabalho científico) e percebi claramente a modificação do seu pensamento: fixou-se a importância do questionamento e da fiabilidade da informação. Estas pessoas vão levar tais princípios para suas vidas!

Afinal, dentre outras coisas, um dos fundamentos da ciência é o método socrático! Tal príncipio discute a descontrução do pensamento mítico pela ironia, e a indução da razão pelo questionamento e diálogo como caminho para a verdade.

Neste contexto, Sócrates discute que deve-se, de forma não ofensiva, mostrar ao interlocutor o absurdo de suas idéias evidenciando as contradições e incoerências lógicas do discurso através do diálogo aberto (exatamente o oposto sugerido pelo vídeo, que mostra a ciência como intolerante). Desta forma, a ironia (i.e. evidenciamento das contradições) é um instrumento para a construção de idéias livres de presupostos superficiais ou preconceitos.

Na discursão sobre criacionismo e a teoria da evolução das espécies, argumenta-se:

1) Não existem evidências materiais da criação divina defendida pela teologia judaico-cristã (ou por qualquer outra tradição religiosa), apenas os escritos antigos.

2) A evolução e a abiogênese são apoiados em evidências:

  • Bioquímicas: o surgimento da vida a partir da matéria inanimada (abiogênese) expressa na Hipótese Oparin-Haldane ou Hipótese Heterotrófica é comprovada pelo experimento de Urey-Miller de 1953.
  • Arqueológicas: a evolução das espécies é evidenciada pela existência dos fosséis, objeto de estudo da palenteologia (lembra dos dinossauros em Jurasic Park?!). Quanto à origem das espécies e do homem em particular, todos os processos de avaliação da idade dos fósseis tanto animais como do próprio homem e de seus precursores mais imediatos apontam números totalmente incompatíveis com os fixados pelos textos religiosos.
  • Genéticas: a evolução das espécies é evidenciada pela existência da mutação do DNA e pela seleção natural de genes, comprovada pelos estudos de Ronald Fisher (que desenvolveu a linguagem matemática e a seleção natural nos termos essenciais dos processos genéticos), J. B. S. Haldane (que introduziu o conceito de "custo" da seleção natural), Sewall Wright (que elucidou a natureza da seleção e da adaptação), Theodosius Dobzhansky (que estabeleceu a idéia de que mutações, ao criarem diversidade genética, supriam o material bruto para a seleção natural), William Hamilton (que concebeu a seleção parentada), Ernst Mayr (que reconheceu a importância chave do isolamento reprodutivo para a especiação). Tais estudos são verificáveis nos contextos de genética de populações, biologia celular, botânica, zoologia, sociobiologia e ecologia.
  • Computacionais: a evolução das espécies é evidenciada pelas soluções evolutivas, em particular aos algoritmos genéticos. Pessoalmente, acho que nada mais visual neste sentido do que o projeto golem (excelente para leigos!).
  • Antropológicas e sociológicas: pelos mecanismos de seleção artificial em populações para aptidão econômica e social, demonstrando matemáticamente causas genéticas para comportamentos como seleção consangüínea (kin selection), altruísmo, especiação e os memes. Esta nova área do conhecimento vêm sendo referida por sociobiologia (portal). Um dos ramos interessantes desta linha de pesquisa é a psicologia evolutiva.
  • Biológicas: Sua aplicação pode ser observada em diversos processos, particularmente de forma mais evidente na cladística e na a biologia do desenvolvimento (i.e. estudo do desenvolvimento embrionário).
  • Matemáticas e econômicas: A seleção natural é aplicada nos mecanismos de equilíbrio econômico (teoria da escolha racional), baseados na teoria dos jogos. A teoria dos jogos, fundamentada nos matemáticos e economistas John von Neumann e Oskar Morgenstern e que também inclui as contribuições de John Harsanyi, John Nash, Howard Raiffa, Thomas C. Schelling e Herbert Simon. Esta formulação também tem aplicações em filosofia e ciência política, ética e jornalismo.
  • Cosmológicas e geológicas: Embora não relacionadas com a evolução, a cosmologia, astrofísica e geologia também atestam pela inveracidade científica do mito de criação do universo pela teologia judaico-cristã (na qual se insere a criação divina da vida e da própria espécie humana), assumindo seu início pelo Big Bang.
Desta forma, a negação da evolução envolve a recusa em aceitar uma boa parte das ciências naturais, principalmente as descrições da história do planeta e da vida.

Dentre as hipotéses (1) e (2) reina uma questão de bom senso (assim como assumido pela navalha de Ockham)!

A recente discussão do criacionismo por grupos evangélicos é decorrente da estratégia da cunha (ao qual se insere o vídeo motivador deste post), defendendo o criacionismo pelo design inteligente, que consiste de uma pseudo-ciência (classifica-se como pseudo-ciência por não apresentar evidências materiais ou seguir o método científico). Especula-se que este movimento faça parte de uma estratégia política de grupos conservadores norte-americanos (particularmente do sul dos Estados Unidos), obtendo favorecimento eleitoral ao subsidiar a agenda social conservadora em uma ampla gama de assuntos defendidos por grupos evangélicos incluindo aborto, eutanásia, sexualidade e outros movimentos de reforma social.

Neste ponto, não tanto como pesquisador (acho que o tal título de D.Sc. me concede tal denominação), mas como humanista e cidadão consciente (de visão liberal e social-democrática) me vejo na obrigação de desmistificar e desconstruir a desinformação causada pelos dogmas criacionistas e do design inteligente, ainda mais tendo em vista a implicação política e social implícita. No Brasil, o problema não é menos sério, conforme o post anterior.

Neste ponto, me insurjo em convocar as demais pessoas de bom senso, que acreditem na humanidade, a empregar esforços para conter a intolerância e fundamentalismo religioso sempre que o mesmos:
  • Ameaçem as liberdades democráticas: e.g. discriminação ou resarciamento da liberdade de crença contra praticantes de cambomblé por grupos evangélicos pentecostais;
  • Incitem a violência, o preconceito e a intolerância: e.g. conflito palestino, etc;
  • Impuserem a exploração social/econômica do indivíduo ou a perda de sua qualidade de vida em proveito evidente de terceiros: e.g. instituições que induzem doações ou cobram dízimos - principalmente de pessoas com um salário ou menos - sem apresentar prestações de contas abertas e públicas (demostrativos de usos e fontes) que mostrem claramente o uso do dinheiro - Igreja Universal, Assembléia de Deus, etc.
  • Travestirem informações como científicas de forma a obter credibilidade: e.g. espiritismo, design inteligente/criacionismo, cientologia, noergologia, homeopatia, astrologia, radioestesia, e demais pseudociências esotéricas. Note que este problema assume uma dimensão muito mais preocupante na medida em que tais "áreas do conhecimento" alcançam o ensino superior formal, com o apoio do estado inclusive.
  • Incidam na separação entre estado e igreja: e.g. pressão contra pesquisa de células tronco no Brasil.

No entanto, cabe discutir que deve-se haver um total respeito pela liberdade de crença e o livre arbítrio em qualquer situação, cabendo apenas a intervenção e esclarecimento sobre aspectos negativos do fundamentalismo religioso (principalmente nos contextos descritos acima). Desta forma, a conclusão sobre o tema a ser discutida com os criacionistas supracitados deve serguir um formato geral semelhante a:


"Você tem todo o direito de ter suas crenças e não pretendo contestá-las! Você pode acreditar em Deus e que o mesmo criou o homem se assim o quiser, mas deve concordar que isto claramente não é uma verdade científica! Sua aceitação destes dogmas baseia-se apenas em sua fé, e não na lógica e nos fatos. As evidências mostram que a evolução das espécies é real e a vida se originou pela abiogênese. É possível crer em Deus e entender a ciência, desde que não se tente misturá-los ou conflitá-los e que não se obrigem terceiros aos dogmas, especialmente terceiros de outras crenças. A crença em Deus é uma verdade pessoal (cada um tem o seu) e a ciência é uma verdade universal (a natureza é a mesma para todos)!"


Observe-se um ponto fundamental no discurso acima: a sutileza e a não ofensividade. Deve-se sempre evitar a negação simples e direta do dogma, pois o bloqueio emocional (que normalmente acontece em conflitos diretos) dificulta, ou mesmo impede, o pensamento crítico. Desta forma, a apresentação das inevitáveis contradições do dogma sobre a lógica racional deve seguir uma linha de discurso sutil, polida e bem construída (nunca ofensiva ou destrutiva).

Note que a questão aqui não é o absurdo das idéais prosposta pelos dogmas dos fundamentalistas religiosos, mas o sequinte exercício: "Como você poderia abordar estes indivídios, de forma delicada, a fim de desconstruir sua desinformação (minimizando seu o estrago) e ainda incutir nessas pessoas o pensamento crítico?". Note que o exercício desta dialética é realmente muito difícil!

Finalmente, vale lembrar que a própria existência das religiões, e do próprio comportamento social humano, é decorrente de mecanismos genéticos e da seleção natural, ou seja, não cabe a ciência a sua destruição, uma vez que é um processo natural em si, mas o seu esclarecimento e conciliação para fins de evolução do conhecimento e da própria humanidade.