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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

[Opinião] Os dinossauros são coisa do diabo!


"Os dinossauros são criações do demônio!"

Parece de sacanagem, mas é coisa de evangélico! Cortesia do seminarista Carlos Alberto de Souza Magalhães e do "Dr." (em verdade mestre) Carlos Gama Michel. Além de atribuir uma origem demoníaca aos dinossauros, o autor ainda discute que sua extinção foi causada pelo dilúvio... Confira mais essa pérola pelo original em PDF ou por sua transcrição neste site.

Só para fomentar, segue um trecho muito interessante sobre a disseminação dos dinossauros e a geologia da Terra ao final do período Cretáceo:

Os ossos desses animais (os dinossauros) são encontrados em todos os continentes. Isto indica que popularam a terra toda. Apesar da teoria de continentes ligados antes do dilúvio que possibilitariam a ocupação destes pelos dinossauros, outra teoria é apresentada como susceptível de probabilidade pelo Doutor Ritter. Ele diz que a distribuição de animais terrestres a partir de um ponto radiante no oriente médio, como admitem os criacionistas, pode ser explicada por pontes terrestres unindo continentes ou unindo continentes a ilhas adjacentes. A simples reconstituição das enormes massas de gelo que uma vez se acumularam no Hemisfério Norte faria o nível dos oceanos descer 90 metros. Segundo boas fontes, isto seria suficiente para estabelecer um bom número de pontes terrestres, inclusive a ligação da Ásia com a América, e assim resolver um grande problema da distribuição de animais...




Abaixo, corajosas incurções minhas junto aos famigerados "seres infernais" nos museus de história natural de Londres e de NY!! O enxofre estava no ar!! hehehe...





Vale sempre remeter a discussão prévia "Criacionismo e intolerância religiosa"...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

[Cool] Large Hadron Collider Rap

Te cuida Eminen, senão a matéria escura te pega... :D

Muito bom! Recomendo mesmo!

domingo, 4 de maio de 2008

[Opinião] Ressonância em metrônomos

Eis um belíssimo exemplo de ressonância em ondas planas.



Pessoalmente, fico sempre fascinado com a beleza da natureza.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

[Opinião] Sexo, Drogas e... Matemática

Encontrei um "interessante" artigo no New York Times sobre sexualidade (The Myth, the Math, the Sex). No mesmo, o autor refere que "pesquisadores britânicos" levantaram que, em média, os homens ingleses declaram terem tido 12,7 parceiros heterosexuais durante a vida, enquanto as mulheres apenas 6,5.

Tal estatística vai de acordo com a noção estereótipada que os homens são mais promícuos, pois procuram ter o máximo de parceiras para disseminar seus genes, enquanto as mulheres são mais reclusas pois o alto investimento da maternidade faz mais adequado ter um parceiro fixo, que ajude a criar a prole...

Ou seja, os velhos papeis do "garanhão" e da "moça de família". Correto?

Errado! Se as amostras foram representativas na mesma população e as relações são heterosexuais (i.e. um homem e uma mulher), então devem existir 12,7/6,5 = 1,95 mulheres para cada homem. Como a probabilidade de nascimento é de 50% para cada sexo, a conta não fecha!



Matematicamete, o número médio de parceiros heterosexuais durante a vida deve ser o mesmo para ambos o sexos!



Logo, a pesquisa está errada! (e o mito da recatada retração sexual feminina derrubado!)

Verdade seja dita, não consegui encontrar a tal pesquisa britânica referida no artigo! Como não há nenhuma referência além de "pesquisadores ingleses" (sabe-se lá o que quer dizer isso...), desconfiei da fidelidade desses dados...

Porém, antes de queimar de vez a Impresa pela falta de coerência em prover rastreabilidade das informações, encontrei o artigo FRYAR,C.D. et al., "Drug use and sexual behaviors reported by adults: United States, 1999-2002", Adv Data, v.384, n. 23, p.1-14, 2007. Neste último artigo, os homens americanos declaram terem tido 7 parceiros heterosexuais durante a vida, enquanto as mulheres apenas 4. Dessa forma, deveriam existir 7/4= 1,75 mulheres para cada homem. Por sua vez, este resultado rastreável converge com a tal "pesquisa britânica"! Assim, realmente existe algo de muito errado!

No artigo no New York Times, o doutor Fryar se defende dizendo que os homens podem ter tido relações sexuais fora do país (e.g. em viagens) ou com prostitutas (que não entraram na amostra). Ou ainda, logicamente, que os homens notoriamente super-estimam o número de parceiras enquanto as mulheres notoriamente sub-estimam! Pessoalmente, acho esta última hipótese muito mais plausível!!!

Mas nem tudo está perdido! Também encontrei este excelente artigo Gómez-Gardeñes, J., et al. "Spreading of sexually transmitted diseases in heterosexual populations", PNAS, v. 105, n.5, p.1399-1404, 2008, que apresenta distribuições similares para as distribuições de parceiros ao longo da vida entre homens e mulheres (inclusive para Suécia, Reino Unido e Zimbabue, e com resultados semelhantes nos três países!!!). Ou seja, é possível fazer esta pesquisa com resultados coerentes!

Dai levanto as seguintes hipóteses para a distroção de FRYAR et al. (2007):
  • A amostra da população não foi adequada.
  • Não houve um treinamento prévio dos entrevistados sobre a definição de um "parceiro sexual" (e.g. um parceiro de um único intercurso ou um namorado estável a mais de um ano...).
  • Os americanos mentem muito... hehehehehe...
Ademais, estatisticamente, sua namorada teve o mesmo número de parceiros que você... Podes crer! :D

sábado, 26 de abril de 2008

[Opinião] Criacionismo e intolerância religiosa

Este post é decorrente da inquietude em mim gerada por um vídeo enviado por um amigo, apresentado abaixo.



O vídeo, muito bem produzido por sinal, apresenta a ciência (em particular, a teoria da evolução das espécies de Darwin) como opressora e inflexível a opniões divergentes (em particular, ao criacionismo defendido por católicos evangélicos). Nele, a "era da ciência" e a "era das máquinas" são vistas como tiranos que deve ser combatidos pois acarretarão no fim das religiões e da liberdade. Neste escopo, o autor questiona o "fato" de que os PhDs devem ser ouvidos cegamente, e qualquer opnião diversa deve ser excluída! A grande questão aqui é que o vídeo (além do fato de estar em inglês) é bem feito e tem potencial para gerar desinformação.

Não é estranho de se imaginar que tal vídeo tenha relação com a opnião expressa por este outro criacionista, que defende o dogma da criação do homem ao referenciar o pensamento crítico por "síndrome de lúcifer", com citações bíblicas inclusive.

Neste contexto, sou um PhD em engenharia biomédica, logo um dos famigerados "opressores". Dentre as minhas atividades, nos últimos 3 semestres chequei a orientar a incrível soma de cerca de 100 monografias de trabalhos de conclusão de curso em nível superior (fora o trabalho, aulas e demais orientados). Algo que me marcou foi que realmente pude passar os fundamentos do método científico para muitas pessoas (algo que realmente só se constroi ao realizar um trabalho científico) e percebi claramente a modificação do seu pensamento: fixou-se a importância do questionamento e da fiabilidade da informação. Estas pessoas vão levar tais princípios para suas vidas!

Afinal, dentre outras coisas, um dos fundamentos da ciência é o método socrático! Tal príncipio discute a descontrução do pensamento mítico pela ironia, e a indução da razão pelo questionamento e diálogo como caminho para a verdade.

Neste contexto, Sócrates discute que deve-se, de forma não ofensiva, mostrar ao interlocutor o absurdo de suas idéias evidenciando as contradições e incoerências lógicas do discurso através do diálogo aberto (exatamente o oposto sugerido pelo vídeo, que mostra a ciência como intolerante). Desta forma, a ironia (i.e. evidenciamento das contradições) é um instrumento para a construção de idéias livres de presupostos superficiais ou preconceitos.

Na discursão sobre criacionismo e a teoria da evolução das espécies, argumenta-se:

1) Não existem evidências materiais da criação divina defendida pela teologia judaico-cristã (ou por qualquer outra tradição religiosa), apenas os escritos antigos.

2) A evolução e a abiogênese são apoiados em evidências:

  • Bioquímicas: o surgimento da vida a partir da matéria inanimada (abiogênese) expressa na Hipótese Oparin-Haldane ou Hipótese Heterotrófica é comprovada pelo experimento de Urey-Miller de 1953.
  • Arqueológicas: a evolução das espécies é evidenciada pela existência dos fosséis, objeto de estudo da palenteologia (lembra dos dinossauros em Jurasic Park?!). Quanto à origem das espécies e do homem em particular, todos os processos de avaliação da idade dos fósseis tanto animais como do próprio homem e de seus precursores mais imediatos apontam números totalmente incompatíveis com os fixados pelos textos religiosos.
  • Genéticas: a evolução das espécies é evidenciada pela existência da mutação do DNA e pela seleção natural de genes, comprovada pelos estudos de Ronald Fisher (que desenvolveu a linguagem matemática e a seleção natural nos termos essenciais dos processos genéticos), J. B. S. Haldane (que introduziu o conceito de "custo" da seleção natural), Sewall Wright (que elucidou a natureza da seleção e da adaptação), Theodosius Dobzhansky (que estabeleceu a idéia de que mutações, ao criarem diversidade genética, supriam o material bruto para a seleção natural), William Hamilton (que concebeu a seleção parentada), Ernst Mayr (que reconheceu a importância chave do isolamento reprodutivo para a especiação). Tais estudos são verificáveis nos contextos de genética de populações, biologia celular, botânica, zoologia, sociobiologia e ecologia.
  • Computacionais: a evolução das espécies é evidenciada pelas soluções evolutivas, em particular aos algoritmos genéticos. Pessoalmente, acho que nada mais visual neste sentido do que o projeto golem (excelente para leigos!).
  • Antropológicas e sociológicas: pelos mecanismos de seleção artificial em populações para aptidão econômica e social, demonstrando matemáticamente causas genéticas para comportamentos como seleção consangüínea (kin selection), altruísmo, especiação e os memes. Esta nova área do conhecimento vêm sendo referida por sociobiologia (portal). Um dos ramos interessantes desta linha de pesquisa é a psicologia evolutiva.
  • Biológicas: Sua aplicação pode ser observada em diversos processos, particularmente de forma mais evidente na cladística e na a biologia do desenvolvimento (i.e. estudo do desenvolvimento embrionário).
  • Matemáticas e econômicas: A seleção natural é aplicada nos mecanismos de equilíbrio econômico (teoria da escolha racional), baseados na teoria dos jogos. A teoria dos jogos, fundamentada nos matemáticos e economistas John von Neumann e Oskar Morgenstern e que também inclui as contribuições de John Harsanyi, John Nash, Howard Raiffa, Thomas C. Schelling e Herbert Simon. Esta formulação também tem aplicações em filosofia e ciência política, ética e jornalismo.
  • Cosmológicas e geológicas: Embora não relacionadas com a evolução, a cosmologia, astrofísica e geologia também atestam pela inveracidade científica do mito de criação do universo pela teologia judaico-cristã (na qual se insere a criação divina da vida e da própria espécie humana), assumindo seu início pelo Big Bang.
Desta forma, a negação da evolução envolve a recusa em aceitar uma boa parte das ciências naturais, principalmente as descrições da história do planeta e da vida.

Dentre as hipotéses (1) e (2) reina uma questão de bom senso (assim como assumido pela navalha de Ockham)!

A recente discussão do criacionismo por grupos evangélicos é decorrente da estratégia da cunha (ao qual se insere o vídeo motivador deste post), defendendo o criacionismo pelo design inteligente, que consiste de uma pseudo-ciência (classifica-se como pseudo-ciência por não apresentar evidências materiais ou seguir o método científico). Especula-se que este movimento faça parte de uma estratégia política de grupos conservadores norte-americanos (particularmente do sul dos Estados Unidos), obtendo favorecimento eleitoral ao subsidiar a agenda social conservadora em uma ampla gama de assuntos defendidos por grupos evangélicos incluindo aborto, eutanásia, sexualidade e outros movimentos de reforma social.

Neste ponto, não tanto como pesquisador (acho que o tal título de D.Sc. me concede tal denominação), mas como humanista e cidadão consciente (de visão liberal e social-democrática) me vejo na obrigação de desmistificar e desconstruir a desinformação causada pelos dogmas criacionistas e do design inteligente, ainda mais tendo em vista a implicação política e social implícita. No Brasil, o problema não é menos sério, conforme o post anterior.

Neste ponto, me insurjo em convocar as demais pessoas de bom senso, que acreditem na humanidade, a empregar esforços para conter a intolerância e fundamentalismo religioso sempre que o mesmos:
  • Ameaçem as liberdades democráticas: e.g. discriminação ou resarciamento da liberdade de crença contra praticantes de cambomblé por grupos evangélicos pentecostais;
  • Incitem a violência, o preconceito e a intolerância: e.g. conflito palestino, etc;
  • Impuserem a exploração social/econômica do indivíduo ou a perda de sua qualidade de vida em proveito evidente de terceiros: e.g. instituições que induzem doações ou cobram dízimos - principalmente de pessoas com um salário ou menos - sem apresentar prestações de contas abertas e públicas (demostrativos de usos e fontes) que mostrem claramente o uso do dinheiro - Igreja Universal, Assembléia de Deus, etc.
  • Travestirem informações como científicas de forma a obter credibilidade: e.g. espiritismo, design inteligente/criacionismo, cientologia, noergologia, homeopatia, astrologia, radioestesia, e demais pseudociências esotéricas. Note que este problema assume uma dimensão muito mais preocupante na medida em que tais "áreas do conhecimento" alcançam o ensino superior formal, com o apoio do estado inclusive.
  • Incidam na separação entre estado e igreja: e.g. pressão contra pesquisa de células tronco no Brasil.

No entanto, cabe discutir que deve-se haver um total respeito pela liberdade de crença e o livre arbítrio em qualquer situação, cabendo apenas a intervenção e esclarecimento sobre aspectos negativos do fundamentalismo religioso (principalmente nos contextos descritos acima). Desta forma, a conclusão sobre o tema a ser discutida com os criacionistas supracitados deve serguir um formato geral semelhante a:


"Você tem todo o direito de ter suas crenças e não pretendo contestá-las! Você pode acreditar em Deus e que o mesmo criou o homem se assim o quiser, mas deve concordar que isto claramente não é uma verdade científica! Sua aceitação destes dogmas baseia-se apenas em sua fé, e não na lógica e nos fatos. As evidências mostram que a evolução das espécies é real e a vida se originou pela abiogênese. É possível crer em Deus e entender a ciência, desde que não se tente misturá-los ou conflitá-los e que não se obrigem terceiros aos dogmas, especialmente terceiros de outras crenças. A crença em Deus é uma verdade pessoal (cada um tem o seu) e a ciência é uma verdade universal (a natureza é a mesma para todos)!"


Observe-se um ponto fundamental no discurso acima: a sutileza e a não ofensividade. Deve-se sempre evitar a negação simples e direta do dogma, pois o bloqueio emocional (que normalmente acontece em conflitos diretos) dificulta, ou mesmo impede, o pensamento crítico. Desta forma, a apresentação das inevitáveis contradições do dogma sobre a lógica racional deve seguir uma linha de discurso sutil, polida e bem construída (nunca ofensiva ou destrutiva).

Note que a questão aqui não é o absurdo das idéais prosposta pelos dogmas dos fundamentalistas religiosos, mas o sequinte exercício: "Como você poderia abordar estes indivídios, de forma delicada, a fim de desconstruir sua desinformação (minimizando seu o estrago) e ainda incutir nessas pessoas o pensamento crítico?". Note que o exercício desta dialética é realmente muito difícil!

Finalmente, vale lembrar que a própria existência das religiões, e do próprio comportamento social humano, é decorrente de mecanismos genéticos e da seleção natural, ou seja, não cabe a ciência a sua destruição, uma vez que é um processo natural em si, mas o seu esclarecimento e conciliação para fins de evolução do conhecimento e da própria humanidade.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

[Artigo] A pseudociência nas universidades brasileiras

Eis um excelente artigo que, apesar de carente de citação, traz a tona uma questão de suma importância: a legitimação da pseudociência no país.

REIS, W.P., "A Pseudociência nas Universidades Brasileiras", Proceedings of Ibero-American Conference on Critical Thinking, Buenos Aires, 2005.

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O autor colabora com o Projeto Ockham e o blog "Dragão da Garagem", com excelentes discursões sobre pensamento crítico.

Particularmente, recomendo o último post "o problema das virgens" em que o mesmo autor discute a "questão das 27 virgens no paraíso mulçumano", trazendo uma pespectiva etimológica inusitada para a questão.