Ao ver olhos seguindo os meus Pensei ser paixão Se quis ter nos meus braços, Colher os teus lábios, Pétala por pétala
Eu quis me perder Eu quis me perder Eu quis me perder E perdi... Kiss me, baby...
Menina, quando estou contigo, Tenho medo de ser eu mesmo E ainda sim ser pouco E quando eu digo essas palavras É que espero que tu saibas que Não são só palavras
Eu quis me perder Eu quis me perder Eu quis me perder E perdi... Kiss me, baby...
Quem vai saber o que você sentiu naquele dia Queria uma banho mas a água estava muito fria Você lavou o rosto Cortou o seu cabelo Olhava a pia, mas o rosto estava no espelho
Ouvira um brado heróico Um brado retumbante!
Você saiu bem cedo a procura de um emprego Parou num bar, bebeu um pouco e acabou num beco Você bebeu a grana, mas pediu uma grama Cuidado filho, senão você acaba entrando em cana...
Só estende as mãos para receber Sua lei: ganhar nunca perder Mantêm com as mãos seu coração O próprio ladrão Correndo com a solução Não sabe parar para ver Juntando a lei pra conquistar poder
E eu não sei ligar Pra quem não quer saber O que é o amor Pra quem não quer sentir Morrer de dor Olhando para si e para mais ninguém
Futuro para construir Render mais que investir Comprar para acumular o que é seu Não sabe ter sem possuir Contenta-se com o que restou Joga na cara o que fez e desfaz
E só não esconde a dor e frustação De quem correu e não chegou a lugar algum Que vá... Pra que voltou? Pra que?
Todos estão me chamando Por todos os verbos Pelo meu nome estão Por todos os cantos Não sei não... para onde ir... Estagnado... estão ao meu lado... Todos contra mim!
Estão rindo, debochando A gritar tornando-me grande Estou confuso, desorientado Ao meu lado Não há ninguém...
Recentemente assisti o filme "Napoleão Dinamite" na TV a cabo (procure por "Napoleon Dynamite" na programação) e fiquei impressionado! O filme é completamente desconhecido no Brasil (nunca passou nos cinemas e é virtualmente muito difícil de alugar ou comprar, tendo sido parcamente distribuído apenas em DVD no final de 2006), mas possui uma particulariedade muito importante: os seus personagens centrais apresentam sintomas claros da Síndrome de Asperger.
O filme não tem a menor intenção de esclarecer o problema (nem toca no assunto), mas com certeza é muito interessante para se identificar em alguns comportamentos e rir dos próprios problemas (o que de longe é a melhor postura)! O grande segredo para apreciar o filme é não se ofender com as idiossincrasias do Napoleão, mas reconhecer-se no seu esteriótipo. Além do mais, o Napoleão é o grande heroi da história! :D
Na verdade o filme é de humor negro (i.e. politicamente incorreto), bem ao estilo das produções da MTV, sendo classificado como "comédia dramática" no Brasil. O roteirista e diretor é o Jared Hess, o mesmo de "Nacho Libre".
O filme é de 2004, e ao contrário do Brasil, provocou muita identificação ao redor do mundo. São inúmeros os fans do filme que o referem como "um verdadeiro meio de vida". O ponto fundamental é que o heroi da trama apresenta as idiossincrasias características da síndrome de Asperger (atitudes e reações completamente "alienígenas" para as pessoas normais), mas enfrenta a vida com muita coragem em nome do que considera certo e das pessoas que gosta. Esta coragem e superação do Napoleão comove as pessoas em geral. Essa popularidade fica evidente nas crianças com fantasias e bonecos dos personagens do filme. Desta forma, o filme (mesmo de humor negro) é um hino a diferença e deveria ser visto por todos. Passa longe de ser apenas mais um entre os milhares de filmes sobre adolescentes no colégio, ou ainda, de ser apenas uma escárnio delirante sem sentido como os filmes do Tom Green... Esse filme tem "alma"...
Como bem resume Flávia Yacubian, Napoleão é "descompassado, em todos os sentidos, com qualquer possível atitude razoável que um garoto normal pode ter" (assim como são percebidos os portadores da SA). Dentre as atitudes estranhas do personagem, Flávia discute: jogar um boneco preso por uma linha de anzol para ser arrastado pelo ônibus, guardar comida no bolso, praticar dance moves de duas décadas atrás, usar botas de neve num calor absurdo, apoiar o amigo na entrega de um bolo para conquistar uma patricinha, comprar uma peruca de mulher para o mesmo amigo quando este raspou a cabeça por impulso num dia de calor... Mas, vamos parar neste ponto: ele comprou uma peruca para o amigo com o dinheiro ganho depois de 6 horas manipulando galinhas imundas. Não só isso, mas pelo mesmo amigo ele dançou na frente de todo o colégio e enfrentou o malvado da escola. Em outros momentos do filme ele vai conversar com as garotas, não admite ser roubado na escola, enfrenta as pessoas de sua família, tenta até mesmo viajar no tempo por seu tio egoísta e convida uma das mais bonitas da escola para o baile...
Um aspecto importante é que percebe-se que Napoleão "tenta simular" atitutes "normais" de um adolescente revoltado, como forma de proteção, mas faz isso sem perder o orgulho de suas habilidades, dos seus interesses e de tudo o mais que o torna único. Desde seu terno até seu esporte preferido.
Inclusive, a dança de napoleão para a música Canned Heat do Jamiroquai é um dos pontos altos do filme (abaixo) e, por sua demonstração de coragem, ele vira uma espécie de herói. Existem inúmeros vídeos (1, 2, 3, 4, 5) no youtube imitando seus passos de dança e até mesmo uma propaganda do IPod... As camisetas "vote for pedro" também viraram uma mania e podem ser compradas pela Internet. Enfim, não deixe de ver... :D
Foi publicada a tradução para o português que realizei do Aspie Quiz. Ao contrários dos usuais "testes de Internet", este é um trabalho sério conduzido por Leif Ekblad sobre a avaliação de perfis do espectro altista, focado na síndrome de Asperger.
O "quiz" consiste de um sistema especialista baseado em coeficientes de correlação com diversos perfis de neuro-diversidade tais como dislexia, esquizo-típicos, etc... (veja a metodologia em http://www.rdos.net/eng/aspeval/).
Assim como eu, Leif trabalha e pesquisa na área de tecnologia mas tem colaboração com outras linhas, e particular interesse pela síndrome de Asperger (por razões óbvias). Estive me correspondendo com o mesmo, e estou inclusive ajudando livremente em um artigo a ser submetido, provavelmente próximo mês, em uma revista Elsevier de psiquiatria.
Neste ponto, gostaria de convidar a todos (inclusive indivíduos neurotípicos), e principalmente as pessoas diagnosticadas clinicamente com síndrome de asperger, a participar da pesquisa. Quanto mais pessoas realizarem o teste, melhor sua calibração e seu desempenho na análise preliminar de pessoas com a síndrome.
Outro aspecto interessante é que o teste seja repetido ao longo dos anos de forma a avaliar a progressão dos portadores.